Regulamento PIEI
Prêmio Internacional de Espírito Inclusivo
A Academia Inclusiva de Autores Brasilienses – AIAB promove, com apoio da Biblioteca Braille Dorina Nowill, no período de 23 de abril de 2025 a 29 de outubro de 2025, o Prêmio Internacional de Espírito Inclusivo – PIEI.
I - DAS INSCRIÇÕES:
Item 01 – dirigido aos acadêmicos da AIAB, titulares, honorários, beneméritos, pioneiros e correspondentes: escritores videntes como facilitadores e pessoas com deficiência visual, com idade acima de 10 anos, em caráter nacional e internacional;
Item 02 – a participação deve ser em duplas, constituídas de um vidente facilitador e uma pessoa com deficiência, em coautoria;
Item 03 – as duplas devem se inscrever pelo e-mail da AIAB academiainclusivabrasiliense@gmail.com, enviando: nome e idade dos participantes das duplas e um pseudônimo para cada dupla; endereço de e-mail e whatsApp para contato;
Item 04 – o lançamento do 5º PIEI será dia 23 de abril de 2025, celebrando o Dia Mundial da Criatividade (21 de abril) e o período das inscrições é do dia 23 de abril ao dia 23 de maio de 2024.
II - DAS CATEGORIAS:
Item 05 – as participações em textos devem ser com resumos biográficos em arquivo word com, no máximo, 2.000 caracteres corridos, no período de 24 de maio de a 24 de agosto de 2025. O tema desse ano é: “Pessoa com deficiência visual admirável que impacta sua comunidade pela sua criatividade, empreendedorismo e ações realizadas”; não pode ser autobiografia. Cada PcDV da dupla vai falar de outra pessoa DV, fazendo uso de observações, entrevistas e dialogando com seu par vidente.
Item 06 – das obras enviadas só serão analisadas as que não se refiram a temas religiosos, políticos ou de discriminação. As que se reportarem a qualquer desses temas serão desclassificadas;
Item 07 – o idioma deve ser o português brasileiro.
III – DO PERÍODO PARA APRESENTAÇÃO DA PRODUÇÃO EM DUPLA:
Item 08 – o resumo biográfico deve ser apresentado nas normas exigidas, até 24 de agosto de 2025.
IV – DA PREMIAÇÃO:
Item 09 – a Academia Inclusiva de Autores Brasilienses, sendo uma entidade sem fins lucrativos, fará a premiação em quantia simbólica, com recursos de doações recebidas para este fim, cumprindo o estatuto vigente;
Item 10 – para a dupla primeira colocada caberá o prêmio líquido de R$ 800,00 (oitocentos reais), sendo R$ 400,00 (quatrocentos reais) para cada componente da dupla e certificado de participação;
Item 11 – para a dupla segunda colocada caberá o prêmio de R$ 600,00 (seiscentos reais), sendo R$ 300,00 (trezentos reais) para cada componente da dupla e certificado de participação;
Item 12 – para a dupla terceira colocada caberá o prêmio de R$ 400,00 (quatrocentos reais), sendo R$ 200,00 (duzentos reais) para cada componente da dupla e certificado de participação;
Item 13 – para os demais participantes serão concedidos certificados de:
a - Colaboração especial (para os que colaborarem durante todo o período de 23/04 a 29/10/2025).
b - Certificado de participação a todos que forem classificados.
V – DOS JURADOS:
Item 14 – a comissão julgadora será constituída de 5 (cinco) membros, no período de 25 de agosto a 25 de setembro/2025; e o resultado será em final de setembro, na Primavera dos Museus.
Item 15 – os participantes da comissão devem ser, obrigatoriamente, escritores membros acadêmicos da AIAB.
V – OBSERVAÇÕES GERAIS:
Item 16 – todas as orientações sobre o concurso serão por meio do blog aiabbrasilia.blogspot.com e no grupo de whatsApp - Avisos da AIAB;
Item 17 – Este regulamento será regido pelo Estatuto da AIAB e Código Civil Brasileiro.
Brasília, DF, Brasil - 04/02/2025.
Dinorá Couto Cançado Noeme Rocha Paola Rhoden
Presidente da AIAB Diretora de Mobilização Cultural Arte/Designer









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38
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duplas | participantes no PIEI | 2025 |
| 33 | duplas |
classificadas
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Resultado: E os 3 primeiros
lugares 2025 foram:
3º lugar: Ednaldo Almeida e
Aline Campos
2º lugar: Larissa Pâmela e Kaio Germano
1º lugar: Roselene Castro e Almerinda
Garibaldi
Prêmio Internacional de Espírito Inclusivo – PIEI 2025
Produções do 5º PIEI - Resumos biográficos*
• Duplas formadas de uma pessoa com deficiência visual e uma enxergante que escrevem sobre uma PcDV admirável.
• Autora do PIEI: Dinorá Couto Cançado
1. A arte de viver e encantar
Dupla: Geralda e Adriana Tigs
Ângela Maria de Lima nasceu em 22 de outubro de 1975, no Gama, Distrito Federal. Sua vida é marcada por um milagre: sua mãe havia feito ligadura para não ter mais filhos, mas engravidou dela. Ao perceber os sintomas, o médico sugeriu interromper a gestação, mas sua mãe foi firme — se uma vivesse, viveriam as duas; se uma partisse, partiriam juntas. Esse amor marcou Ângela, que é grata pela escolha da vida.
Desde pequena, destacou-se pela inteligência e empatia. Quem a conhece sente carinho, pois sua presença transmite paz e conforto. Seu abraço é acolhedor e sereno. Extrovertida e alegre, faz amizades com facilidade. Sonhava morar na roça e, durante a pandemia, a família se mudou para uma chácara, o que lhe trouxe grande alegria. Ama viajar, conhecer pessoas e tem na música uma fonte de inspiração.
Em 1989, venceu um festival da Rádio Nacional de Brasília, cantando Entre Tapas e Beijos, e presenteou a mãe com o prêmio — um liquidificador —, gesto que guarda com muito carinho. Oito anos depois, venceu outro festival para deficientes visuais, cantando Natureza, Espelho de Deus, e recebeu um teclado. Essas conquistas simbolizam sua paixão pela música e pela arte.
Dona de memória excepcional, decora músicas com facilidade e compõe poesias e rimas sensíveis. Conheceu artistas, participou de programas de TV e é muito admirada. Vaidosa, cuida dos cabelos e adora novidades.
Ao sair da escola especial e ingressar na regular, compara a experiência a sair de um aquário para o mar. Enfrentou ondas agitadas, mas descobriu um mundo cheio de aprendizados. Nunca se sentiu diferente por não enxergar; na infância, seu maior desejo era ver o rosto da mãe.
As irmãs Geralda, Iolanda e Madalena (em memória), também pessoas com deficiência visual, são seus pilares, formando um apoio amoroso, forte e constante.
Para ela, a vida é feita de simplicidade, amor, respeito e gratidão. Sua história inspira todos a reconhecer a força interior e a importância da superação e do amor.
2. 1º de Abril - Pela Arte de Verdade
Dupla: Éder e Lidiane
Enquanto amanhecemos, alguém trabalha quase que 24h para que o seu dia seja melhor do que já foi. E tudo pode começar na palma da sua mão.
Multifacetada contribui diariamente com a cultura brasileira. Defende veementemente a acessibilidade cultural. Inserida na literatura, é autora de
vários romances que falam de questões sociais como: pessoa com deficiência, mobilidade urbana e, claro, o companheirismo e o amor ao próximo. Foi
precoce e, aos 12 anos, começou a sua vida literária. Foi com essa idade que escreveu o seu primeiro poema. Na música é compositora, canta como
ninguém e a sua presença de palco impressiona qualquer um que a assiste. Também começou cedo no teatro. Aos 11 anos, já ensaiava as suas primeiras
falas. Hoje a sua atuação, chama o público a aplaudir de pé ao final de cada performance.
Ainda como atriz, é importante ressaltar o seu trabalho como dubladora. Sara está presente nas urnas eletrônicas com a sua voz, auxiliando pessoas com
deficiência visual a exercer o seu direito de cidadão, o voto. Esse auxílio não restringe a cada 4 anos, ela pode e é sempre ouvida nos celulares através da
voz Letícia. Claro que na sua vida, nem tudo foi flores. Apesar de ter nascido com glaucoma congênito, foi por causa de um erro médico que ela perdeu aos 27
anos a sua visão. Mas isso não impediu a sua caminhada. Hoje ela é referência cultural, e por causa da sua representatividade, inspira várias pessoas Brasil a
fora. Foi embaixadora do Prêmio Alexa de Acessibilidade em 2020 e atua como consultora em projetos que promovem a inclusão de pessoas com deficiência
nas artes. Em 2023, lançou o curso & quot;Leitura Sombreada", voltado para o desenvolvimento da fluência na leitura em voz alta, especialmente para
pessoas com deficiência visual.
Essa é Sara Bentes, brasileira, nascida em 1º de abril de 1982 no Rio de Janeiro. Não é e nunca foi fake, é arte de verdade.
3. No Escuro, Florescem Estrelas
Dupla: Vanessa e Alberto Pessoa
Rosy Mello, um exemplo notável de uma pessoa com deficiência visual que impacta sua comunidade. Vista com muito carisma por sua criatividade e empreendedorismo, Rosy não se intimidou diante das adversidades com a perspectiva da perda de visão e resolveu desenvolver projetos com foco na inclusão e acessibilidade. Rosy tem uma trajetória marcada por superações. Aos seis anos foi diagnosticada com Retinose Pigmentar (uma condição degenerativa que compromete progressivamente a visão). A partir de então, começou a viver à sombra de si mesma. Mas, via que além da visão, ainda existia a vida. Cresceu sendo frequentemente excluída. Com muito esforço, conseguiu concluir o ensino médio. Mesmo com a progressiva perda da visão, continuou desenvolvendo a escrita como forma de elaborar vivências e compartilhar sentimentos.
Apesar das dificuldades, Rosy encontrou força no esporte. Ingressou no judô e obteve destaque, conquistando diversas vitórias. Vivia um mundo sem a plenitude da luz, mas alimentada de muita coragem. Aos 24 anos, descobriu que estava grávida. Enfrentou resistência da família e do então companheiro. Assumiu de vez a rotina de um novo olhar. A gestação foi marcada pela falta de apoio familiar e social. Mesmo com as dificuldades, Rosy pensou: cegueira não é o fim. Viver no escuro, mas, com os pés no chão. Assumiu integralmente a criação do filho. A maternidade exigia um grau elevado de responsabilidade e resiliência. Construiu uma carreira como empreendedora. Atuou no setor comercial. Valorizou a escuta ativa e a construção de relações humanas. Sabia que viver é sentir onde a escuridão ensina. Participou do Centro de Valorização da Vida (CVV). Atuou também no Lar dos Velhinhos. Pela sua brilhante performance foi convocada e participou do programa federal Economia (ES) onde adquiriu enorme experiência. Via luz reaprendendo o mundo. Incentiva a autonomia feminina. Integra a Academia de Letras para Deficientes Visuais. Para Rosy a escuridão é a presença de luz interior. Enfrenta as batalhas com serenidade, ciente de que o mundo ainda não está preparado para quem é diferente — mas é nesse mundo que ela floresce.
4. Biografia de William da Cunha
Dupla: Marco Antonio e Adriana Araújo
Willian Ferreira da Cunha, goiano de São Domingos, buscou em Deus, na família, na educação e no trabalho os pilares para sua formação. Chegou ao Planalto Central em 2002, determinado a construir seu futuro por meio dos estudos. Precisou retornar ao interior entre 2004 e 2005, mas seu coração estava na Capital Federal onde se estabeleceu definitivamente em 2006. Em 2017, realizou seu sonho: advogar. É casado e tem 2 filhas.
Sua trajetória é marcada por resiliência e superação. Em 2000, aos 11 anos, sofreu um grave acidente automobilístico que deixou sequelas permanentes, resultando em deficiência visual classificada como baixa visão em ambos os olhos. Passou por um longo e desafiador processo de reabilitação no Centro de Ensino Especial de Deficientes Visuais (CEEDV). Com o apoio da família e dos professores, dedicou-se ao aprimoramento da acuidade visual, leitura em fonte ampliada, Braille e técnicas de mobilidade, superou obstáculos não apenas físicos, mas também emocionais e sociais. Esse processo de reconstrução integral foi fundamental para que descobrisse sua verdadeira vocação: a luta incansável pela defesa dos direitos das pessoas com deficiência. Atuou como empacotador, auxiliar de patrimônio e suprimentos e massoterapeuta.
Contudo, seu engajamento foi além das funções profissionais, assumiu posições estratégicas em entidades representativas, como a Associação Brasiliense de Deficientes Visuais (ABDV), a Associação de Amigos dos Deficientes Visuais (AADV), a Organização Nacional de Cegos do Brasil (ONCB) e Movimento Ostomizados do Brasil (MOBR), onde ocupou importantes cargos de Direção. Além disso, participou ativamente de Conselhos Distrital e Nacional, voltados à Juventude e aos Direitos das Pessoas com Deficiência. No âmbito do Governo do Distrito Federal, fortaleceu sua atuação política e institucional, ocupando cargos como Diretor de Políticas Públicas e Secretário Executivo do Conselho de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência do Distrito Federal (Coddede).
Wiliiam é exemplo de resiliência, determinação e compromisso com a inclusão, inspira não apenas a comunidade da qual faz parte, mas toda a sociedade. Demonstra que a reabilitação vai muito além do aspecto físico, representa um processo de empoderamento e transformação social. Seu lema “seja protagonista da sua história”.
5. A Notável Jornada de Uma Vida Reconstruída
Dupla: Larissa e Kaio Germano
No vasto cenário das histórias de superação, algumas se destacam pela sua resiliência e profundidade, e a de Everson Júnio é, sem dúvida, uma delas. Este rapaz moreno, de 1,88 m e 80 kg, hoje com 30 anos, nos convida a refletir sobre a capacidade humana de florescer mesmo diante da mais impiedosa adversidade.
Sua história é marcada por um ponto de inflexão brutal. Aos 20 anos, a vida de Everson foi drasticamente alterada por um acidente que o privou da visão e o deixou em uma cadeira de rodas sem andar por um bom tempo. Era um momento de imensa vulnerabilidade, vindo de uma família batalhadora e de princípios que, no passado, não dispunha de muitas condições. No entanto, essa mesma família que, assim como ele, conseguiu se superar ao longo do tempo foi seu pilar, juntamente com a responsabilidade de ser pai de uma filha que hoje tem 11 anos.
Os anos que se seguiram à tragédia foram de adaptação e uma incrível redescoberta. Antes mesmo de alcançar a estabilidade profissional, Everson já demonstrava uma garra incomum. Mesmo com a perda da visão, ele trabalhava incansavelmente, dia e noite, como massoterapeuta e vendia produtos para garantir o sustento de sua filha. Essa determinação incansável o impulsionou a novos horizontes.
Sua ascensão acadêmica e profissional é um testemunho eloquente de sua força. Após a perda da visão, Everson não apenas se preparou, mas foi aprovado no segundo concurso público que prestou, 2 anos depois do acidente, tornando-se servidor público da Caixa Econômica Federal. Em sua busca contínua por conhecimento, ele também se formou em Gestão Pública e conquistou uma pós-graduação na mesma área, todas essas conquistas acadêmicas realizadas depois da sua cegueira total.
Paralelamente, Everson se reinventou no campo da tecnologia. Com um foco notável, tornou-se analista de acessibilidade na desafiadora e vital área da TI. Vindo atualmente ensinar vários outros colegas de jornada, inclusive os recém deficientes visuais. Hoje, aos 30 anos, além de suas responsabilidades como servidor e de suas múltiplas funções, ele dedica parte de seu tempo a algo ainda mais nobre: ajuda ativamente muitas pessoas. Ele compartilha sua experiência, inspira e prova que a plenitude da vida não está na ausência de obstáculos, mas na coragem de enfrentá-los.
A trajetória de Everson Júnio é uma poderosa narrativa sobre a resiliência do espírito humano, mostrando que a visão vai muito além dos olhos e que o verdadeiro caminho para a superação reside na inabalável vontade de reconstruir e impactar o mundo ao seu redor.
6. Zozimeire, a mulher de luz
Dupla: Ednaldo e Aline Campos
Ela nasceu no Pará, em junho, o mês de São João,
No dia vinte e seis, em sessenta e seis, com força no coração.
Criou-se em Belém, na Nova Marambaia cresceu,
Num bairro simples, mas que muito lhe fortaleceu.
Desde pequena, já tinha grandes obrigações,
Cuidava dos irmãos, fazia mil funções.
Mesmo se machucando, sem nunca reclamar,
Zozimeire seguia e a vida não parava de lhe ensinar.
Sentava sempre à frente, queria compreender,
Mas a vista falhava e ninguém parecia perceber.
A professora não notou, os pais não foram chamados,
E assim os anos passaram, os dias foram levados.
Adulta, teve filhos e em 2003 chegou a Brasília, que alegria!
Marcelo e Sirlene, com deficiência visual e muita empatia,
Levaram-na ao CEEDV com carinho e acolhimento,
E plantaram nela o saber, com força e sentimento.
Foi ali, por acaso, num ponto de ônibus qualquer.
E ali começou a mudança, algo que a faria renascer.
Aprendeu a ler, a escrever, e também a sonhar,
E com cada passo novo, começou a caminhar.
Concluiu o Ensino Médio, com brilho no olhar,
E na Faculdade Projeção, o Serviço Social foi estudar.
Sua família, ela trouxe todos para perto, e numa piscada,
Viu filhos casarem, netos chegarem, bênçãos multiplicadas!
Por quinze anos, na ABDV foi diretora cultural,
Com projetos, eventos, fez um trabalho sem igual.
E hoje, com maturidade, segue em evolução,
Faz Direito ao meu lado, com foco e dedicação.
Nos conhecemos em dois mil e dezenove, com emoção,
Casamos com amor e com total entrega de coração.
Ela tem algo raro, que não se compra, não se ensina,
Um dom natural de cuidar, que ilumina e fascina.
Ajuda quem tem deficiência, a garantir seu direito,
Se precisa de BPC ou aposentadoria, ela vai com respeito.
Se necessário, entra na Justiça, busca solução,
Tudo com empatia, com firmeza e compaixão.
Ela não guarda rancor, não recusa a mão,
Tem um coração tão imenso quanto a imensidão.
E eu, que a tenho ao meu lado, sou só gratidão,
Cada gesto dela é poesia em ação.
7. Lidando com as Adversidades da Vida
Dupla: Ana Kelly e Beti Rhozen
Sônia Gontijo nasceu em uma fazenda chamada São João do Boqueirão, situada em Minas Gerais. É a quinta filha dos nove que Maria e Oscar tiveram.
Sônia apresentou aos 15 dias de nascimento desinteresse em olhar a luz. Tal fato despertou nos seus pais a suspeita de que ela poderia ter algum problema visual.
Certo dia, Deusdet, um irmão de dona Maria foi visitá-la na fazenda. Nessa visita, o tio de Sônia teve a ideia de levá-la para Buritis, cidade próxima de Unaí, que tinha algum recurso na área de saúde. A intenção era levar a Sônia para fazer uma consulta. Aos 4 anos, Sônia foi levada pelo tio para cidade de Buritis, a fim de iniciar o acompanhamento oftalmológico necessário. Posteriormente, o tio de Sônia a levou para Unaí, pois nessa cidade havia mais recurso para o tratamento que sua sobrinha necessitava.
Sônia recebeu a visita de uma prima de sua mãe, que morava em Brasília, Jordelina. Ela achou muito estranho o fato de que no olho de Sônia faltava brilho. Por isso pediu a avó de Sônia para levá-la a Brasília, a fim de consultar outro médico. Chegando em Brasília, Sônia foi logo levada a um médico, chamado Dr. Celso, que logo diagnosticou um erro médico. Ele constatou que Sônia não teria mais chance de voltar a enxergar do olho direito ,nem mesmo com outra cirurgia. No olho esquerdo, Sônia passou por uma nova cirurgia que fora bem sucedida. Ela passou a enxergar melhor do olho esquerdo, mas apenas 20% e com óculos.
Depois dessa cirurgia em Brasília, Sônia passou a morar naquela cidade com Jordelina dos 4 aos 8. Entretanto, sua mãe sentindo muitas saudades resolveu buscá-la, levando-a de volta para a fazenda São João do Boqueirão, onde ficou morando, dos 8 aos 13 anos.
Começou a estudar já bem grandinha. Aos 9 anos, sentia muita dificuldade para ver o que o professor escrevia no quadro, pois só enxergava 20% do olho esquerdo e nada do direito. Estudou com muita dificuldade da primeira até a quarta série. Sua irmã, Simone, estudou com ela da primeira a quarta série e a ajudava bastante fazer o dever de casa e estudar para as provas. As duas irmãs estudavam juntas.
Depois que concluiu a quarta série, ela voltou para o Distrito Federal e foi morar com a Jordelina para cursar a quinta série, mas em 1994, Sônia teve a infelicidade de ser atropelada por um carro. Por causa desse acidente, Sônia ficou em coma por cinco dias, devido ao traumatismo craniano do qual foi acometida. Depois de sair do coma, Sônia voltou a estudar. No entanto, por infelicidade, começou a perceber umas manchas estranhas no seu olho esquerdo e a sentir que a visão estava diminuindo. Sônia descobriu que com o traumatismo craniano a retina do seu olho foi descolada e que isso traria cegueira muito rápido se não fizesse uma cirurgia.
Naquela época ainda não tinha essa cirurgia nos hospitais públicos do Distrito Federal. Os pais de Sônia não tinham condições de pagar a cirurgia e resolveram acionar o Banco Central. Não obtiveram êxito rápido. Sem a cirurgia no tempo certo, Sônia acabou mesmo perdendo a visão e com isso entrou em depressão, ficou revoltada e tinha pensamentos de suicídio. Porém, Sônia descobriu que havia um colégio para deficientes em Brasília e só depoisque ela matriculou-se no CEDV, passou pela reabilitação, aprendeu o Braille, conheceu pessoas, que igualmente ficaram cegas, por vários motivos, então ela superou a sua dor e sentiu, novamente, vontade de viver.
A partir daí, Sônia retomou os estudos. Cursou o supletivo, concluiu o ensino médio, fez concurso para área de saúde no ano de 2000, para trabalhar no serviço público.
Atualmente, Sônia mostra que superou a cegueira e a depressão. Hoje é uma mulher que trabalha, cuida da sua casa, bem como do seu gato, do seu
cachorrinho, que são seus amores. Sônia é feliz apesar de todas os desafios que ela passou pela vida. As experiências deixaram marcas, mas ela não desistiu de viver com alegria e propósito.
8. Rafael: Lições de uma vida plena
Dupla: Luiz Felipe e Gacy Simas
Rafael Vaz da Silva, mais conhecido como Neném, construiu uma história marcada pela resiliência e dedicação. Aos 78 anos, este escorpiano nascido em 24 de outubro de 1946, em João Pinheiro, Minas Gerais, reflete sobre uma vida rica em experiências e superações. Rafael é evangélico, solteiro, e um pai e avô orgulhoso de dois filhos, Luiz Felippe (que tem 25 anos) e Rafael Junior (que tem 35 anos), e dois netos, Denial Alex (com 9 anos) e Noah Vaz (com 3 anos). Ele descreve sua relação com seu filho Luiz Felippe como muito boa, a confiança e a sinceridade são a base de tudo. A infância de Rafael foi moldada pela simplicidade da vida na roça, onde cresceu e brincou com o que a natureza oferecia: cavalos de pau e carrinhos de buriti. Filho de Agostinho Vaz e Maria Vaz, ambos falecidos. Rafael foi um dos 13 irmãos, dos quais sete estão vivos.
De origem simples, sempre valorizou e buscou pelo conhecimento em sua vida. Formou-se em Letras pela faculdade Mauá e fez pós-graduação em Educação, o que o levou a uma carreira dedicada. Durante a trajetória profissional, trabalhou com crianças com necessidades especiais, uma vocação que demonstra altruísmo e forte compromisso com a inclusão social. Hoje, Rafael desfruta de conquistas importantes: conseguiu estudar, se aposentou com um salário digno e possui sua casa própria. A melhor fase de sua vida, ele conta, foi quando estava trabalhando e contribuindo para a sociedade. No entanto, o que mais o frustra e o assusta é a violência, que a cada dia piora e a desinformação.
Ao longo dos anos, Rafael morou em diferentes cidades: João Pinheiro, Patos de Minas e Goiânia. Essas cidades, para ele, foram repletas de momentos marcantes que moldaram quem ele é hoje: um homem que, mesmo sendo cego total, enxerga com a alma, a importância de um mundo mais solidário.
9. UMA LINDA MULHER
Dupla: Sidney de Castro e Mary Paiva
Quem é esta mulher que é inspiração pra mim e pra todos que a conhecem? Quem é esta mulher decidida, corajosa, que vai à luta com garra, que supera
obstáculos? Seu nome é Teodora Ramos Urcino. Dona de um coração meigo e cheia de predicados!
Eu a conheci na Biblioteca Braille Dorina Nowill, e nos tornamos grandes amigos e confidentes. Chegou à biblioteca em 2010, quando ouviu uma entrevista da Dinorá Couto Cançado, fundadora da biblioteca e presidente da AIAB, na Rádio Globo. Na biblioteca encontrou aconchego e tudo o que ela mais necessitava.
A perda da visão já veio da infância e foi se agravando. Morava no interior, na região de Tocantins. Ela sabe que foi por ignorância familiar que era discriminada por todos e pelos primos. Ela ficava nervosa com tudo isso.
Ao conhecer a biblioteca tudo se modificou. Dinorá ofereceu a sala de computadores pra ela aprender a lidar com esta área. Ela foi muito incentivada
pelos amigos. Noeme Rocha, uma das fundadoras e mobilizadora cultural, que também é cega, muito ajudou. Nivaldo, também cego, foi um psicólogo
excelente pra ela, incentivando-a a procurar outras áreas. Ela se admira de como o grupo da biblioteca traz tanto carinho e apoio pra
todos! Ajudam em tudo que é possível e a Dinorá a incentivou a escrever no computador e a fazer textos.
No CEEDV, ela fez curso de digitação. Escreveu suas histórias. Já tem textos publicados em livros: um pela AIAB (“Prosa à Luz de Louis Braille”, organizado
por Girlane Florinda) e outro pelo Andrey do Amaral (“Histórias e Vidas: Além do Olhar”) - circulando em mais de 30 países.
Certa vez, ela resolveu ir com um casal para a Serra da Mesa. Isso causou uma revolução! Todos ficaram assustados procurando por ela.
Suas ferramentas de trabalho são computador e celular. No CEEDV, aprendeu o Braille. Não consegue ler (por causa da diabetes), mas apenas escrever em
Braille. Lá aprendeu artesanato e fez coisas lindas (usando o tato) e como usar a bengala.
Nasceu no interior, sem muitos recursos, e hoje se sente orgulhosa de poder mostrar pra família e outras pessoas o quanto foi capaz de progredir.
Ficou viúva há anos e tem filhos já criados, mas prefere morar sozinha porque os hábitos são diferentes e entrariam em conflito. Mas quando precisa deles
para levar ao médico e no que for necessário - estão sempre prontos para ajudar.
Teodora, linda e exuberante mulher, inspiração pra muitos!
10. NOEME, BRILHO E CARISMA
Dupla: Zozimeire Reis e Dora Duarte
Noeme Rocha tem 64 anos, chegou ao Distrito Federal em 1977, buscando uma vida melhor. Tinha baixa visão, mas muita garra e disposição.
Do Maranhão partiu para a Capital do País com muitas dificuldades na bagagem mas com o enorme desejo de vencer. Tempos depois num acidente perdeu totalmente a visão. Foi também submetida a uma cirurgia cardíaca que a deixou em estado grave. Renasceu. Sua força e determinação a fizeram prosseguir. Noeme é inspiração para todos que a conhecem. Desenvolve seus projetos culturais no DF há mais de trinta anos. Presença forte, animada e constante na Biblioteca Braille, acolhendo, ministrando aulas de Braille, realizando atendimento cultural, entre outras atividades. Ela brilha e espalha simpatia.
Com carinho cuidou de sua mãe. Casou-se com Roberto, a quem chama de "Raio de Sol". Tem um filho e um neto, deficientes visuais. Noeme é vice-presidente da Academia Inclusiva de Autores Brasilienses.
11. A Luz que resiste!
Dupla: Rosy Melo e Maria das Graças
Vanessa Dias Fabiano nasceu em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro e, desde cedo, aprendeu que a vida lhe exigiria coragem, persistência e fé. Filha de uma
família humilde, enfrentou obstáculos para realizar seu grande sonho, o de se tornar enfermeira. Foi percorrendo longas distâncias a pé, o que não a fez desistir, ela persistiu e com garra formou-se em 1999. Em 2003, tornou-se mãe do Eron Fabiano, o grande amor de sua vida. Quando o filho completou 3 anos, ela enfrentou a maternidade solo. Lutou para criá-lo com dignidade, mesmo em meio as adversidades. Aos 8 anos, Eron foi diagnosticado com um câncer raro e agressivo: linfoma anaplásico, estágio 4, ficando em coma por três meses. Vanessa então, fez a escolha mais consciente de sua vida: deixou a carreira de enfermeira para ser, essencialmente, mãe e cuidadora. Morou por dois anos na Casa Ronald, ao lado do seu filho, enfrentando todos os contratempos da vida. Nesse período, seu corpo começou a dar sinais de alerta, dores nos olhos e na cabeça, que mais tarde revelaram-se como glaucoma. Aos 33 anos, ela começou a perder a visão, mas ainda assim, não perdeu o entusiasmo de viver.
A doença de Eron estabilizou-se e, aos 10 anos, ele pode retornar para casa. Vanessa, porém, decidiu recomeçar a sua vida profissional. Temerosa da violência
do RJ, pensando oferecer ao filho uma vida mais segura, mudou-se em 2017, para Brasília. Em 2018, começou a trabalhar na Câmara dos Deputados, numa empresa terceirizada, enquanto seu filho retomava seus vínculos estudantis.
Retomando o curso cotidiano de sua vida, o glaucoma foi avançando silenciosamente, prejudicando dia após dia a sua visão. Ela se sentia fragilizada, sem a mesma energia, ficando sem a mesma disposição física, e em 2024, foi aposentada por invalidez.
Vanessa, atualmente, é uma mulher com deficiência visual, mas não se deixou vencida pela doença! A sua história é um testemunho de amor incondicional,
resiliência e entrega. A sua trajetória, que foi marcada por dificuldades, é pura superação por todas as intempéries da vida que ela enfrentou. Hoje, ela tem a
certeza de que, mesmo nas sombras, sempre encontrará luz. E é essa luz que, pela fé, Vanessa aceita a sua missão de lutas e a cada dia os seus desafios se transformam em gotas de gratidão, com o olhar que resiste resignado com amor e paixão pela vida!
12. Luiz Eduardo Fonseca Dornelles, uma estrela guia na inclusão social
Dupla: Adma Oliveira e Anaí Peña
Uma estrela guia representa esperança, fonte de força e inspiração. Luis Eduardo Fonseca Dorneles, taguatinguense nascido cego, aos 05 de janeiro de
2007, tem uma família acolhedora e que se fortaleceu para garantir seu desenvolvimento integral. Desde bebê teve acesso à estimulação precoce e à
educação inclusiva. Desenvolveu habilidades para interagir com o mundo e, como expressa a Constituição Brasileira, alcançar o seu pleno desenvolvimento, o seu preparo para o exercício da cidadania e a sua qualificação para o trabalho. Com fé, vigor e coragem, se fez homem junto à seus pais em casa, aos
professores e colegas na escola, sempre se sentindo incluso nas brincadeiras, jogos e todas as atividades. Não se isolou, deixando que os outros fizessem as coisas por ele. Ao contrário, foi agente de sua história e construiu os próprios caminhos, com o apoio daqueles que estavam à sua volta. Constantemente cercado por pessoas que o incluíam em tudo e, lançando mão de recursos tecnológicos, adaptou-se para agir com independência, tomando em suas mãos as rédeas das situações. Aprendeu a usar o computador aos 8 anos, facilitando seu aprendizado e o acesso a muitas coisas. Se tornou poeta e enxadrista, superando todas as barreiras que encontrou ao longo da vida.
Hoje em dia, Luis Eduardo cursa comunicação social e faz estágio na Administração Regional de Taguatinga. Acredita que a acessibilidade deve ser
garantida em todos os espaços, públicos e privados, com adaptações físicas e atitudinais. Parte dessa inclusão, ele afirma, é que as pessoas não olhem para os
deficientes visuais com pena, mas que os tratem como outro qualquer, sendo cobrado a fazer o que é seu dever. Defende que as pessoas com DV devem ser
carismáticas, comunicativas, resguardando o seu espaço e os seus direitos. “Mais do que estar no espaço, é preciso participar nos espaços”, afirma. Luis Eduardo
mostra como uma pessoa com deficiência visual pode fazer tudo, servindo de exemplo e inspiração na inclusão social.
13. Cegos que iluminam
Dupla: Rafael Vaz e Mara Parrela
Embora a amizade tenha se consolidado há 8 anos, Paulo não teve boa impressão de Juscelino. Tenho uma amiga assim, que nos transformou em comadres. Juscelino e Paulo, há vinte anos, nós há 40. Nas palavras de Paulo, “ muita cumplicidade entre dois”.
Perguntei ao JK sobre o escolhido, e sem titubear, disse Paulo Luz. Se baseou no caráter irretocável do amigo PC, como é conhecido, e a deficiência visual de ambos, foi deixada de lado. Fiz perguntas respondidas durante os almoços frequentes entre eles. Soube que Paulo Luz, 54 anos, nasceu em 6/10/1970, em Canavieiras/ Bahia. Filho de Erivaldo Antônio Luz, 82 anos e Delza Santos Alves, 73, ambos vivos. Eu perdi o meu pai de alcoolismo aos 15, ele com 42. PC tem 6 irmãos, Evandro, Roberto, Sandra Alves e Leonardo Silva e Denilson Alves(falecido). Casado com Tereza, os filhos, Jéssica Pereira Luz e Evandro Cesar C. Luz. É evangélico e tem baixa visão. Mas nem sempre foi assim. Grande frustração, foi não ter tido acessibilidade, perdeu parcialmente a visão, antes, via tudo.
Essa dificuldade o quando estimulou a melhorar as condições dos cegos, principalmente crianças e jovens. PC foi diretor da ABDV, Associação Brasiliense de Deficientes Visuais, por 6 anos, com atividades sociais, oficinas, trabalhos artesanais em argilas, telas para pinturas, vassouras com material reciclável, cursos profissionalizantes de massoterapeuta, Braille e informática. Distribuíam no CEEDV – Centro de Ensino Especial de Deficientes Visuais, cestas básicas, kit escolar para cegos, principalmente para a escola inclusiva, para alunos acima de 12 anos. Kits continham regletes para receber o papel Braille, punção para escrever, bengala para locomoção e assinalador, para auxiliar o cego a assinar. PC fez sua parte mas o poder público pode mais. Eu quis conhecer uma pouco mais de PC e perguntei as cidades que ele conhecia.
Citou várias mas por destacar Belo Horizonte, minha cidade, o considero ainda mais, sabendo do seu rico trabalho e caráter. Foi um prazer jogar luz sobre você, que aliás, disse estar no seu melhor momento. Que siga com saúde, enquanto a tem, ilumine os caminhos dos outros. Obrigada JK por trazer o amigo “Luz” até nós! Para mim é uma honra fazer parte do PIEI, Prêmio Internacional do Espírito Inclusivo. Internacional, aqui em outro mundo, e espírito, porque nos unimos sem nos conhecermos.
14. SIMONE KICHEL — vida dedicada à pesquisa e divulgação da ACROMATOPSIA, raro problema de visão
Dupla: Valdevi e Ângela Guerra
Simone Dutra Oliveira Kichel, mulher guerreira, fundadora do grupo ACROMATAS do BRASIL, atual presidente do CENTRO LITERÁRIO DE SÃO LEOPOLDO, RS, e Presidente do ROTARY CLUB SAPUCAIA DO SUL, RS, participou da ANTOLOGIA IMIGRAÇÃO ALEMÃ 200 ANOS e, em toda a sua vida, tem demonstrado seu valor.
Simone é um exemplo de cidadania ativa, combinando vida profissional com um forte compromisso social.
Nascida ACROMATA, em São Leopoldo, RS, cresceu em ambiente familiar numeroso, fortemente ligado à educação.
Ignorava sua deficiência, apesar das dificuldades para enxergar, caminhar na rua e ficar exposta ao sol.
Ao ingressar na escola, descobriu que não conseguia identificar cores. Mas só tomou conhecimento do termo ACROMATOPSIA, por volta do ano 2000, já adulta, quando residia em Brasília.
Em casa, não se falava da deficiência. A inclusão era vivida, e, não, comentada.
Simone procurou conhecer o problema a fundo, dedicando-se à pesquisa e à sua divulgação, objetivando ajudar a quem é acometido da mesma condição. Uniu-se à Associação de Pacientes Retina Brasil e fundou o Acromatas.
Como pessoa com deficiência (PCD) relacionada à visão, em suas inúmeras pesquisas, Simone descobriu que, atualmente, estuda-se o tratamento dessas doenças em alguns países, no campo da genética. A ciência está começando a dar uma resposta, todavia, ainda há muito a fazer.
Com mais um semestre de estudos, Simone se formaria em Engenharia Civil e Administração de Empresas. Foi empresária na Loja Primor, e, ao se mudar para Brasília, trabalhou no Ministério da Saúde.
Compromissada com a carreira e a comunidade, realizou trabalho voluntário em diversas entidades, especialmente na Biblioteca Braille Dorina Nowill e no projeto Mala do Livro, por sua paixão pela leitura e inclusão.
Após retornar ao Rio Grande do Sul, a aprovação no concurso da Corsan - Companhia Riograndense de Saneamento e sua participação em antologias literárias evidenciam continuidade no engajamento cultural e profissional.
15. Ao Mundo a Voz que Ensina
Dupla: Simone Kitchel e Ana Chaves
Traremos uma vida a seguir, que nos encheu de esperança, um homem de voz forte, que em tempo algum nos remete a dor e separação. Vivenciamos experiência e superação.
Membro da AIAB, Jackson Pereira Xavier, é nascido em Cotegipe, BA. Hoje com 63 anos, ele diz que tem uma vida bem-vivida entre as cidades de Uberaba, Brasília, Belo Horizonte e Patos de Minas – MG.
Jackson nasceu com glaucoma congênito. Com dez anos, sua visão foi desaparecendo em definitivo. Mas, sua vida seguiu seu rumo, adaptando-se de várias formas, entre elas com a leitura e escrita em Braille.
Em sua vida escolar tem segundo grau incompleto. Devido às dificuldades corriqueiras, não conseguiu ingressar na universidade.
No campo profissional trabalhou nas Rádios Comunitárias Educadoras e Novas da Paz, MG e Rádio Capital em Brasília.
As experiências narradas por Jackson foram oportunidades apresentadas a ele, enquanto trabalhava na TELEBRASÍLIA, na qual se aposentou.
Jackson tinha o sonho de viver de música, mas os caminhos profissionais o levaram a caminhos diferentes. Em tempo algum, utilizou-se da deficiência visual para receber vantagens. Sempre trilhou e trilha um caminho rico em projetos realizados e a realizar.
Incansável na área cultural, seja como locutor ou agente, muitas vezes como voluntário, impactou a vida de várias pessoas com deficiência visual, incentivando cada uma, em participar em criações artísticas e apresentações culturais, como nos saraus. Jackson foi infatigável na missão de descobrir e divulgar novas formas de viver a cultura, independente das deficiências de cada um; sempre divulgando e dando oportunidade de trabalho aos novos talentos, dentre os quais muitos deficientes visuais.
Foi colunista colaborador no canal Nossa Arte Nossos Olhos, da professora Dóris. Recebeu o Prêmio Produtor de Eventos Culturais. Foi presidente do Conselho Municipal das Pessoas com Deficiências, em Patos de Minas – MG. Sua alegria é grande quando canta e dedilha seu violão.
16. Uma Vida na Escuridão
Dupla: Epifânia Santana e Cândida Carpena
Vou contar a história desta grande artista, que mesmo sem enxergar, conseguiu alcançar o seu objetivo. Kátia nasceu no RJ, em 1962, filha de Armênia e Waldir Cunha. Por complicações no parto ficou com deficiência visual.
Quando era bebê, ouvia músicas clássicas para dormir. Aos 4 anos, ganhou de seu pai um piano. O avô paterno era um grande pianista, ela aprendeu com ele.
Seus pais preferiram que ela não estudasse no Instituto de Cegos. Entrou em escola pública; para ajudá-la, a mãe e irmão aprenderam Braille. Era uma ótima aluna. Com 7 anos ganhou prêmio num concurso de línguas, tinha aprendido inglês e espanhol. Aos 12 anos, no violão, começou a compor, tocar na escola e no coral da igreja.
Roberto Carlos era amigo de seu pai. Um dia mostrou canções ao “Rei”, ele foi seu padrinho musical na gravadora CBS. Em 1978, sua primeira música foi lançada.
De aniversário ganhou uma composição com Erasmo Carlos. Depois, dois sucessos com José Augusto. Em 1988, gravou com Leonardo Sullivan. Nos anos 90, teve uma canção em minissérie na Globo e a gravação de CD em espanhol.
Ela sofreu muita discriminação na carreira, não foi fácil, mas venceu de cabeça erguida. Ganhou discos de diamante, ouro e platina, troféus.
Perdeu sua mãe em 2017. A pandemia agravou ainda mais a depressão e ficou afastada dos palcos. Aos poucos, voltou a viajar, fazer shows, ser entrevistada em programas de rádio e de tv.
Acho interessante que sua criatividade foi além da música. Ela criou projeto de informática, o software DOSVOX. Assim, abriu horizontes para pessoas com deficiência visual. Além de cantora e compositora, criou a Web Radio Studio K e um projeto para idosos.
Kátia é solteira, não tem filhos e mora no RJ. É uma pessoa positiva, passa isso em suas músicas e com os fãs. Ela é a estrela que eu admiro. Voluntária no Instituto Admax, onde conheceu o cão Willy, o seu companheiro desde 2022. Explica sobre o trabalho dos cães guia nas redes sociais.
17. Biografia de Daniela Ribeiro
Dupla: Genes Guedes e Custódia
Daniela é cantora, musicista e produtora cultural. Nasceu em Brasília no dia 05.01.1980. Estudou no Instituto Benjamin Constant e Escola Parque, sendo orientada a iniciar seus estudos em musicografia Braille. É revisora em Braille e amante da leitura. Fez aulas de violino, canto lírico, canto popular e flauta doce. É formada em Canto popular e fez sua primeira apresentação em 1997, no Teatro da Caixa. Apresentou-se no Clube do Choro, Planetário, Terraço Shopping e Conjunto Nacional, dando inclusive oficinas de choro.
Em 2018, entrou para o Coral de Cegos do Cento de Ensino Especial de Deficientes Visuais. Foi vocalista de dois grupos de samba compostos por deficientes visuais: Visão do Samba e Nó Cego. É considerada a melhor cantora de samba com deficiência visual de Brasília.
Em 2022, desenvolveu seu projeto Brasilidades aprovado no FAC. O projeto leva culturas populares para a rua, tais como: folia do divino, capoeira, jongo e samba de roda. Em 2025 acontecerá a 2ª edição do projeto, onde Daniela será apresentadora, com participação de palhaços para crianças, orquestra Marafriboi, Martinha do Coco e Boi do Seu Teodoro.
Em 2023, montou seu próprio grupo: OJUOKAN DO SAMBA – nome banto, de origem iorubá, que significa: OJU – Olhos e OKAN – Coração. Este grupo retrata a musicalidade afrobrasileira. Um grupo inclusivo onde participam artistas com deficiência visual e videntes. Ainda em 2023, teve seu projeto SAMBADEIRAS – Mulheres que dançam samba em Brasília, aprovado pelo FAC. Com a realização deste projeto foi incluída no cenário do samba junto com cantoras videntes.
Daniela resolveu cantar samba para mostrar que a intolerância não deve existir. Pois mesmo sendo branca sua vestimenta é toda ligada à africanidade.
A lição que Daniela tira de sua trajetória é que pessoas com deficiência visual tem que se permitir viver tudo que a vida proporciona e que a música e a poesia estão no coração.
18. Biografia de Valter da Costa Ibituruna
Dupla: Denise Braga e Celinha Machado
Valter da Costa Ibituruna nasceu em 01/11/38, em Santa Maria do Suaçuí (MG). Filho de José da Costa Ibituruna e Ana Santina Costa. Entre os 9 filhos, foi o único com deficiência visual, diagnosticada aos cinco anos de idade causada por sífilis congênita. Na infância, seu pai o levou ao Instituto de Cegos do Brasil Central, em Uberaba, apesar de ter baixa visão, não se via como uma pessoa com deficiência e resistiu. Ao chegar, o pai o deixou para estudar. A sensação de abandono foi dolorosa. Depois foi se adaptando. Fez amigo, aprendeu Braille por conta própria, se profissionalizou na música. Cursou o ginásio no Colégio Triângulo Mineiro.
Foi no Instituto que conheceu Vilma, sua esposa. O primeiro contato foi ao som da canção Índia. Ouvindo-a cantar, ofereceu-se para acompanhá-la no violão. Virou parceria e amor. Nasceu o Duo Marajoara. Em 1960, com os amigos João Tomé e Gilson Machado, também deficientes visuais, mudou-se pra Brasília. Como músicos, trabalharam na Orquestra da TV Nacional e no Palace Hotel.
Com Vilma, tem dois filhos: Ronald e Walterson. A família cresceu, hoje, tem 4 netos e 4 bisnetos.
No mercado de trabalho, percebia que contratantes recusavam músicos cegos, sem saber que ele era baixa visão. Com essas recusas, ele, João e Gilson tiveram a ideia de criar um espaço de convivência, apoio mútuo e de defesa de direitos. Fundaram em 83, a Associação Brasiliense de Deficientes Visuais, primeiro marco de luta por inclusão deste segmento social no DF.
Hoje, com 87 anos, perdeu toda visão em uma cirurgia que trazia esperança de melhora. Sem êxito. Sente muita falta de sua autonomia de quando era baixa visão, agravado pela perda auditiva parcial. Passou a usar bengala, mas hoje não se sente seguro em sair sozinho.
Entre as lembranças mais queridas, estão a canção Garota de Ipanema, seu amor pela voz de Nelson Gonçalves e a amizade inabalável de João Tomé, a
quem chama de “pai na música”. Nos deixa como conselho: “Dedicação e perfeição”.
19. Resumo bibliográfico da vida do artista Valter Júnior
Dupla: Jacson Xavier e Marlete Magalhães
Tema: “Pessoa com deficiência visual admirável que impacta sua comunidade pela sua criatividade”.
Sobre Valter Júnior, vemos um caminho de luta e perseverança, temos a certeza de que a fé é o firme propósito de crer ...antes mesmo que o milagre aconteça.
A paixão por a sua vida começa junto com ele, a leveza de detalhes com que ele fala de si, de sua vivência, calça os problemas, e nos conta de si e da família de maneira firme, mas com o amor plausível em sua voz, a emoção quase lhe embarga a voz. Mas ele segue sereno, paulatinamente, pontuando os detalhes, resumindo sua trajetória, custa nos elencar adjetivos suficientes que expressem na íntegra a ambiguidade de seus caminhos.
Valter Júnior de Melo, mineiro, de uma pequena cidade lá em meados de 1968, oriundo de família simples fala da dificuldade de aqui chegar, parecia que o mundo relutava em não recebê-lo mas bravamente ele lutou envolto em um cordão umbilical com várias voltas, relata que sua progenitora de nome bonito e diferente chamava Auta , sempre guerreira lutou por sua sobrevivência desde do nascimento, com 1 mês de vida foi lhe aplicado uma vacina errada contra a paralisia infantil o que o levou a ter paralisia na perna esquerda, mas a mãe devota de uma fé inabalável, fez promessa de passar um ano andando descalça para que o filho se curasse, ele nos relata que soube mais tarde que as pessoas acharam estranho uma mulher bonita andar por um vilarejo descalça carregando uma criança, porém após um ano o filho voltou a dar sinais de movimentos na perna e começou a andar, sempre mancou um pouco mas não precisou nem de muleta, nem de bengala.
Durante sua fase de crescimento até a fase adulta enfrentou muitas barreiras, sua família teve grande perda financeira, viveram o luto do irmão do meio, mas ganhou outro irmão, e assim depois de adulto começou a ter crises de dores de cabeça o que levou a perda da visão mesmo assim, ficou firme e ser tornou locutor, professor de informática e colocou toda sua vida em um vídeo livro.
20. Biografia de Agnaldo Oliveira Pestana
Dupla: Francisco di Paula e Roberto Santos
Agnaldo Oliveira Pestana nasceu em São Paulo Capital em 23 de dezembro 1961. Acadêmico em Ciências Contábeis e economia, bacharel em ambas as áreas. Por motivo de um acidente com arma de fogo, atingido na cabeça, na região dos olhos, lesionando os olhos, resultou na perda da visão.
A princípio foi muito difícil, mas com apoio da sua mãe, muito religiosa, conseguiu superar o trauma acreditando que ainda poderia voltar a enxergar, procurou então continuar estudando, mantendo o contato com amigos e familiares, evitando assim, o isolamento.
Após 10 anos aposentou - se e continuou os seus estudos em mobilidade e Braille, praticando esportes como futebol e natação. Criou também um projeto para auxiliar pessoas com deficiências visuais, oferecendo suporte e orientação.
Pratica artes marciais como karatê e taekwondo, chegando a alcançar o segundo Dan.
Com projeto vinculado ao YouTube que orienta e ensina visando autonomia das pessoas com deficiência visual, Agnaldo é casado, tem dois filhos e dois netos. Tem um projeto amigos touch Universo. Pratica esporte e cuida dos netos.
21. UMA LUZ DANÇANTE - História de Superação de uma Mulher com Deficiência Visual
Dupla: Rosângela e Keula Rodrigues
A história dessa mulher é feita de coragem, dor e recomeços. Aos 37 anos, começou a perder a visão de forma rápida e irreversível. O diagnóstico médico veio como um choque: não havia tratamento. Sem entender o que sentia e sem encontrar compreensão ao seu redor, mergulhou em um período de tristeza e isolamento.
Já era mãe de dois filhos quando, aos 39 anos, descobriu uma nova gravidez — em meio à perda da visão. Foi uma gestação difícil e cheia de medos. Nos primeiros meses, não conseguia enxergar direito o rostinho da filha. Mas, com o apoio da mãe e dos filhos, enfrentou tudo com coragem. Enfrentou também o preconceito por ser mãe e cega — olhares julgadores, dúvidas, desconfianças — e ainda assim seguiu firme, guiada pelo amor à filha.
Pouco tempo depois, enfrentou outra batalha: uma trombose grave, que a manteve internada por oito dias. A dor era constante, o tratamento, cansativo e as sequelas ainda estão presentes. Mesmo assim, não desistiu. Buscou ajuda no Centro de Deficiência Visual, onde aprendeu a usar a bengala e conquistou autonomia. Sentia medo, sim, mas a vontade de ser independente era maior. No caminho, encontrou pessoas que estenderam a mão — inclusive um senhor que, com o tempo, virou um amigo querido. Ali também encontrou acolhimento em grupos como o Rosa Shock, com quem dividiu vivências — sua primeira vez andando sozinha em um lugar desconhecido. Foi um momento de descoberta, liberdade e superação. A dança surgiu como um resgate de si mesma. Começou a praticar dança cigana por orientação médica e reencontrou um sonho da infância. As roupas, os movimentos, os palcos — tudo isso trouxe de volta a autoestima, a alegria e a sensação de que é possível, sim, ser feliz apesar das limitações.
Hoje, mesmo com a deficiência visual, ela segue em frente: dançando, aprendendo, se reinventando. Sua história é prova de que, com coragem e apoio, é possível transformar dor em força e recomeçar quantas vezes for preciso.
Essa história de vida e superação foi contada a uma outra, também deficiente visual, com a mediação de uma parceira, não deficiente visual fez-se o registro escrito para torná-la pública, disseminar a notoriedade da inclusão e demonstrar como a história de uns podem impactar de forma positiva a história de um coletivo.
22. Mais uma vida que importa!
Dupla : Elzimary Barbosa e Cláudia
É assim que se começa a falar de Genes Auvray Guedes, por preferência, Guedes. Um rondoniense de Porto Velho, nascido em 1975, residindo no Distrito Federal - Brasília.
Descreve-se como homem pardo, cabelos pretos, olhos verdes, 98 kg e 1,55 m de altura. E, ainda, romântico, alegre, brincalhão e carinhoso.
Guedes é pessoa com deficiência visual total em função de glaucoma congênito irreversível somado à perda da visão esquerda, aos 18 anos, por trauma no olho decorrente de briga na adolescência. Sobre família, vale o clichê: “Família é quem cuida!”. Guedes é de uma grande família que o adotou: os pais, o Sr. Humberto e a Sra. Gilsa (já falecida) e mais 11 irmãos. Ainda sobre a família, vive em união estável, desde 2022, com a Sra. Luciene e reside também com a sogra, a Sra. Marlene, que enfrenta questões de saúde. Teve uma única filha biológica, Tamires, falecida em 2016. Por afetividade, compartilha com a companheira a felicidade de ser pai e avô dos filhos (Cristine, Osvaldo e Derlan) e netos (Enzo, Lohan, Ian, Yasmin e Helena) dela.
Tem por profissão e paixão a música. É músico e tecladista, destacando os estilos popular e gospel. Também trabalha como massoterapeuta em prestadora de serviços do governo federal.
Filiou- se à AIAB a convite de Dinorá Couto Cançado. Reconhece a seriedade da instituição e percebe como a mesma busca conectar as pessoas com e sem deficiências visuais que se interessam por Artes nas variadas formas de expressão, o que torna o mundo mais acessível e agradável de se viver.
Ao tratar de Arte, diz que há um pouco dela em tudo que se vive. Ela está no fluxo da vida, no deitar, no levantar. Fortalece, anima, alegra, seja na forma poética, musical ou expressiva.
Uma curiosidade: ele já viveu em cidades de 4 regiões do Brasil: Valparaíso de Goiás (GO), Muriaé (MG), Aracaju (SE), Irará (BA), Xinguara (PA) e Distrito Federal. Por esta razão, pode se dizer que Guedes reúne em sua história retalhos dos nossos vários “brasis”.
23. Um ponto de vista no escuro
Dupla: Naiara Fontenele e Lucia Boonstra
César Achkar Magalhães nasceu em 12 de janeiro de 1964, no Rio Grande do Sul, filho de militar e psicóloga, terceiro de quatro irmãos. Desde cedo, enfrentou
problemas de visão, como estrabismo e alta miopia, sendo diagnosticado aos 30 anos com Mal de Stargardt, doença degenerativa que afeta a visão central, além de risco de descolamento de retina. Considerou sorte já ser concursado quando os problemas se agravaram.
Aos 10 anos mudou-se para Brasília, onde sofreu bullying pelos óculos grossos, mas desenvolveu resiliência e bom humor. Trabalhou no consultório do pai, mas seguiu carreira como servidor público, buscando estabilidade.
Hoje, aos 61 anos, é militante político e defensor dos direitos das pessoas com deficiência, sempre buscando oportunidades e melhor qualidade de vida para esse público. Identifica-se como deficiente visual para evitar constrangimentos e atualmente usa a bengala verde, símbolo de sua presença.
Sua trajetória mudou ao conhecer o CEEDV, onde descobriu possibilidades e fortaleceu a autoaceitação. Valoriza sons, cheiros e a música, que o inspira a perceber as belezas diárias, como o calor do sol ou o aroma do pão. Enfrenta preconceitos e acredita que a convivência real entre pessoas com e sem deficiência é fundamental para inclusão.
Entre as vantagens de ser cego, cita o aguçar de outros sentidos e destaca como maiores conquistas sua família e o trabalho. Sentiu forte carinho das pessoas quando esteve internado com Covid-19.
Reservado e realizado, orgulha-se de ter reerguido a ABVD, desafio que considera vitória imensurável. Deixa como mensagem que a humildade para aprender e crescer juntos é essencial. Quer ser lembrado pelo esforço e conquistas, reconhecendo que força é continuar, mesmo com fragilidades.
24. Entre palavras escritas e Palavras Cantadas
Dupla: Roselene e Almerinda Garibaldi
No dia 18 de junho de 1982, nascia em Paracatu, Minas Gerais, Éder Fonseca Costa, um espírito inquieto, curioso e apaixonado pela vida. Aprendeu que a vida exige coragem, mesmo quando tudo parece desfavorável. Era um menino flamenguista, apaixonado por futebol. O jogo do Flamengo era sagrado. Mas havia outra paixão que crescia, quase tímida. Aos 12 anos, um livro esquecido em um canto qualquer. Esse foi o início de uma jornada que transformaria sua vida.
Estudou em escolas públicas, onde enfrentou dificuldades e uma delas o acompanharia por toda a vida: a deficiência visual. Desde criança, enxergar o mundo era um desafio literal. Mas foi também nesse ambiente de limitações que Éder desenvolveu suas maiores forças: a escuta apurada e o gosto pelas palavras.
Aos 18 anos, Éder enfrentou o que muitos considerariam uma sentença definitiva: o deslocamento de retina e a deficiência visual permanente. Mas a luz que havia encontrado nos livros aos 12 anos nunca se apagou. Ler tornou- se sua forma de enxergar o mundo. Éder se viu diante de um futuro incerto. Mas decidiu mudar sua história. Em 2001, embarcou rumo a Brasília, uma cidade que, à primeira vista, parecia fria, distante, quase estrangeira.
Éder não apenas terminou o ensino médio. Com perseverança, concluiu um curso de massoterapia, profissão que abraçou com dedicação. As mãos que antes seguravam livros, agora também cuidavam de corpos e aliviavam dores. Massoterapeuta, baterista, leitor voraz. Na banda Refrão de Mármore, Éder mostra que ritmo é linguagem que fala fluentemente. Entre uma leitura e outra, encontra tempo para os shows, os amigos e para seguir alimentando seu sonho de ver o mundo além-fronteiras. Quer escrever um livro que inspire e toque o coração de pessoas.
Hoje, Brasília já não é mais um lugar estranho. Tornou-se lar. Foi aqui que se reconstruiu, fez amigos, e abraçou uma vida plena. Não deseja apenas ser lembrado como alguém que enfrentou dificuldades. Quer ser visto como alguém alegre, que transformou limitações em força, que amou intensamente e viveu com autenticidade.
Éder Fonseca é prova e exemplo de que a vida não é sobre o que perdemos, mas sobre o que escolhemos construir com o que nos resta. Sua história não é feita de grandes atos, mas de pequenos atos de resistência diária. Entre livros, músicas e toques de cura, ele segue, sonhando alto e vivendo com propósito.
25. O Brilhante Luciano Estelar
Dupla: André Ricardo e Eloiza Moura
Neste ano de 2025, o Projeto PIEI conta novamente com a participação do grande artista Luciano de Souza, de quem contaremos a trajetória e cuja criatividade transcende limites e resplandece em múltiplas formas de expressão. Poeta e escritor, nascido no Gama e hoje residente em Ceilândia Norte, Luciano encontra-se solteiro e plenamente dedicado à arte e à vida. Mesmo diante dos desafios visuais e físicos, segue firme, transformando cada obstáculo em impulso para a criação. Em sua kitnet, que se transformou em um verdadeiro ateliê, dá vida às telas abstratas e à composições em artes plásticas, sonhando com o dia em que sua arte ecoará pelo mundo e florescerá em um ateliê de renome.
Integrante ativo da AIAB, Biblioteca participa de diversas atividades e, semanalmente, frequenta a Braille, espaço de aprendizado e inspiração. Sua rotina é permeada pela dança e pelas artes cênicas. Além da música: Luciano é percussionista e integra uma orquestra de violinos, onde toca um instrumento inusitado e original, criado junto com o seu amigo André Ricardo, a partir de garrafas de vidro reciclável.
Em julho de 2025, concedeu entrevista à Eloiza Oliveira, na qual compartilhou sua paixão pelas telas e pela criação. Ali, destacou que este é o 3º ano dele no Projeto PIEI. Para ele, o essencial é participar, pois a vitória é apenas consequência. O que realmente importa é a arte – expressão de amor puro, capaz de emocionar e inspirar, mesmo quando poucos se dispõem a contemplá-la longamente. Luciano acredita que sua obra pulsa emoção e sugere evolução. Para ele, é a perseverança, aliada à insistência e ao sentimento, que trazem satisfação e humildade. Sempre disponível, acolhe com alegria os convites de amigos e parceiros, se envolvendo em experiências diversas.
Assim é Luciano Estelar: um brasiliense de alma incansável, que aceita cada desafio como oportunidade de brilhar ainda mais, iluminando a todos com sua arte e a sua presença.
26. Um trabalho com sustentabilidade
Dupla: Laís Maia e Hoana Gonçalves
André é uma pessoa que, mesmo tendo perdido a visão, sempre continuou de pé. Fazia casa na árvore, brinquedos de madeira, e, aos 8 anos de idade, construiu um carrinho para o seu amiguinho que era o vizinho. Aprendeu dança de salão e levou a algumas escolas, fazia oficinas e doava arte de origami para as crianças. O sonho de André era aprender violino e ele fez uma carta a Deus e consagrou; ele pediu dom e talento e criou uma didática para ensinar. A primeira aluna de André foi Laís. Ele também gosta de escrever poemas e trabalha com sustentabilidade. E ele faz o lixo virar luxo.
27. Homenagem a Marcos Antônio
Dupla: Teodora Urcino e Leonna Fontes
Marcos Antônio do Espírito Santo, Nasceu em 23 de maio de 1982, com a cor de jambo, se reconhece indígena, leva a vida com dedicação, é esforçado e tem muita responsabilidade.
Aos cinco anos, começou uma doença rara em sua visão, deixando-o com uma boa baixa visão, mas é pessoa com deficiência visual, porém, isso não o impediu de realizar várias atividades, pessoais e para os outros, inclusive pessoas com deficiência visual como ele.
Em 1995, ainda jovem começou a frequentar a Biblioteca Braille Dorina Nowill, participou do livro Revelando Autores em Braille. Formado em Educação Física em 2015. Ele toca violão, gosta de samba, pagode, sertaneja, Chorinho, MPB etc.
Canta muito bem, professor de dança, corre, conduz e ajuda onde se encontra. Hoje, é voluntário nesta Biblioteca a qual sua esposa Denise - cega total - é funcionária; ele colabora com ela dentro e fora, a conduz, ajuda nos afazeres domésticos, demonstra seu amor e parceria sempre. Compartilha tudo que gosta e aprendeu com quem precisa, está mais atuante que nunca.
Marcos Antônio , faz parte da ABDV e em parceria com ela, conduz o Projeto de Forró "Dança para Todos" na Biblioteca Braille Dorina Nowill, levando alegria e movimento ao deficientes visuais que aprendem e recebem tanto dele.
Marcos Antônio ama esporte tem um time de Golbol, ao qual participa também, criou junto com sua esposa o projeto de Corrida para os deficientes visuais no Parque da Cidade, unindo pessoas que enxergam e Pcdv's.
Admiramos Marcos Antônio, não apenas por suas conquistas, mas pelo modo como ele convive, compartilha e trata a todos com educação, alegria e dedicação em cada passo, em cada gesto, . E assim, Marcos é admirável, digno de uma homenagem de reconhecimento e gratidão.
28. Veridiano: Poeta e Defensor da Inclusão Social
Dupla: Joaquim Fabiano e Sharlene Serra
Veridiano Vicente de Moura, nascido em 13 de fevereiro de 1957, no Rio Grande do Norte, construiu em Brasília uma história marcada por superação, criatividade e dedicação à cultura. Aposentado, ele segue ativo como poeta e defensor da inclusão social, sendo reconhecido por sua força de vida e pelo compromisso em tornar a literatura acessível a todos.
Aos 19 anos, Veridiano perdeu a visão em decorrência de complicações de saúde e, anos mais tarde, enfrentou ainda as sequelas de um acidente vascular cerebral. Mesmo diante de tais adversidades, transformou a dor em inspiração e encontrou na poesia e na escrita um caminho de resistência e de expressão. Sua trajetória mostra que a deficiência não limita, mas pode se tornar fonte de novas possibilidades. Autodidata e apaixonado pela palavra, é membro da Academia Inclusiva de Autores Brasilienses (AIAB) e colaborador assíduo da Biblioteca Braille de Taguatinga, espaços onde se dedica à difusão da literatura acessível e à valorização da cultura inclusiva. Além disso, participa de eventos comunitários, compartilhando sua experiência de vida e inspirando outros a acreditarem em seu próprio potencial.
Em sua carreira profissional, atuou em órgãos públicos como o Incra, em funções administrativas, e na antiga CEB (Central Elétrica de Brasília), onde deixou marcas de dedicação e compromisso. Hoje, na aposentadoria, dedica- se integralmente à literatura, à convivência comunitária e à promoção de valores humanos como amizade, solidariedade e respeito à diversidade.
A vida de Veridiano Vicente de Moura é um testemunho de resiliência. Transformou a perda da visão e os desafios da saúde em motor criativo, construindo um legado que une poesia, inclusão social e serviço comunitário. Seu olhar humanista reflete o amor pela natureza, pela convivência e pela vida, tornando-o um exemplo de que é possível transcender as dificuldades e deixar um rastro de esperança e inspiração para as próximas gerações.
29. O caminhar de uma vencedora
Dupla: Ricardo Nascimento e Nilva Sousa
Maria Epifania Sousa Santana é nascida em Coromandel município de Minas Gerais em 15/03/1968 e exímia leitora e escritora de Braille. Nasceu com deficiência visual devido a problemas hereditários. Na infância, a partir dos 6 anos, passa a morar em Belo Horizonte, MG, por 3 anos, frequentando então o Instituto São Rafael que é referência na área de deficiência visual; porém, somente aprendeu o Braille ao chegar em Brasília e frequentar uma escola especial onde foi alfabetizada. Aprendeu ali também atividades cotidianas do dia a dia que lhe possibilitou dar prosseguimento aos estudos em uma escola regular até concluir o ensino médio.
Durante sua infância já demonstrava interesse e talento para música. Lembra se que foi durante a infância de forma marcante que por volta dos 10 anos ao ganhar de presente de sua tia um piano que descobriu e extraiu lindas canções. Com o passar do tempo teve aulas de teclado no CEEDV com a professora Ana Cecília e foi surpreendida por ter que mudar-se, juntamente com sua mãe, para a cidade de Rio Verde. Ao retornar a Brasília, depois de um ano e meio, passa a frequentar a Biblioteca Braille Dorina Nowill onde passa a ter aulas de dança e chega a fazer uma apresentação de tango com a professora Alessandra, o qual era seu sonho.
Na Biblioteca Braille, foram surgindo outras e novas experiências como participar de várias atividades tais como leitura, música, roda de conversa e o grupo Fonte de Vida.
Mesmo sem enxergar, Maria Epifania toca gaita, ukulelê, teclado e aproveita de seu tempo livre para fazer uso de seus instrumentos musicais, gosta das músicas da cantora Kátia, poema de Cecília Meireles e de declamar poemas.
Maria Epifânia mostra ser independente dentro de sua casa, é bastante vaidosa, gostando de arrumar seus cabelos, sendo capaz de realizar algo, conseguir vencer com persistência, motivação e ser uma pessoa feliz e encantadora.
30. De estudante a professor
Dupla: Valdeli Rodrigues e Elise Fefê
Todo dia o professor Fernando com sua bengala branca, faz o percurso de casa a escola por mais de 20 anos e ainda reserva tempo para dedicar-se ao trabalho voluntariado em prol das pessoas com deficiência. Fernando Rodrigues nasceu em Brasília em 19 de março de 1977. Constituiu família e tem dois filhos. Cresceu em Ceilândia, mas é morador do Riacho Fundo I. Aos 6 anos de idade, ficou com deficiência visual devido uma bolada que provocou descolamento da retina. Então encarou um desafio em seu processo escolar, seu padrasto proibiu sua mãe de levá-lo à escola por não acreditar que uma pessoa com deficiência visual pudesse aprender, porém sua mãe nunca desistiu e foi alfabetizado no Centro de Ensino Especial do Deficiente visual. Outro impasse era não ter a impressora Braille e esse material demorava muito para chegar na instituição. Além disso, participou de vários eventos esportivos, no caso futebol de cegos pela Associação Brasiliense do Deficiente Visual, atividade essa que favoreceu sua orientação em sua mobilidade, pois aos 13 anos já tinha autonomia em sua locomoção.
A convivência do trabalho voluntário para as pessoas com deficiência ou a ausência delas, o fez abraçar alguns movimentos. Neste percurso, conheceu várias pessoas que o influenciaram, mas a voluntária chamada Dalva disse ao Fernando que ele tinha o dom para ser professor, ela foi seu apoio e sua inspiração. Por isso, ingressou em alguns trabalhos voluntários, entre eles no Instituto de Promoção Das Pessoas Com Deficiência Visual no Plano Piloto. O conhecimento escolar proporcionou a Fernando muitas realizações: professor da Secretaria de Educação do Distrito Federal na escola que estudou e encontrou nas aulas de Soroban, uma realização. Cursou o Magistério do Ensino Médio, Licenciatura em Pedagogia e em Orientação Educacional. Tem pós Graduação em Ensino Superior. Sua primeira experiência profissional foi ministrar cursos de Braille pela Faculdade da Terra de Brasília e pelo Instituto de Educação Especial pretendia convencer a importância de um trabalho individualizado com estratégias para atender e adequar a necessidade de cada estudante. Portanto, é um exemplo de superação que abre portas de oportunidades para as pessoas com deficiência visual e almeja ver uma sociedade mais solidária.
31. Biografia de Elzimary Barbosa
Dupla: Fátima da Conceição e Renata Barcelos
Elzimary Barbosa Viana nasceu em 20 de janeiro de 1979 em Bacabal dos Tibério Chapadinha Maranhão. Filha de Joaquim Teixeira Araújo e de dona Indiana Cleta Barbosa Viana. Ela, agente de saúde e ele lavrador. Ela nasceu com deficiência visual, mas a baixa visão ainda permitiu que ela estudasse na sua na escola comum os primeiros anos. Aos 25 anos, veio para Brasília continuar os seus estudos. Hoje, já está casada em segunda união com o senhor Marcelo. Ela está com matrícula trancada no curso de pedagogia na Faculdade Cruzeiro do Sul pela facilidade da de eletrônica que está fazendo curso on-line.
32. Da Escuridão dos Olhares para as Cores da Arte
Dupla: Suzy Hekamiah e Margarida Drumond
Eu poderia pensar em mil formas para descrever uma pessoa com deficiência visual, mas nenhuma delas seria a forma correta e mais poética do que dizer que é através da escuridão que podemos ver as estrelas. O mundo das pessoas com deficiência visual, como o próprio nome diz, passa pelas dificuldades e redescobrimento. Contudo, nunca é um mundo onde os sonhos não existem. Não há mundos que percam a esperança, se ainda pudermos ver a beleza da vida, não apenas através dos olhos, mas através do coração.
Contamos a história de Adma, uma mulher cheia de bravura que viu sua vida mudar radicalmente perto de completar 50 anos. Adma enfrentou o preconceito por ser uma pessoa com deficiência visual e ainda enfrenta dificuldades. Todos nós sabemos como o mundo não está totalmente adaptado para pessoas com algum tipo de deficiência, mas a maior dificuldade sempre será a falta de empatia daqueles que veem o mundo, mas não enxergam com o coração.
Se eu pudesse dizer poucas palavras sobre essa mulher, seria pela poesia que eu poderia demonstrar:
Há muitas formas de amar e muitas formas de ver
Tudo aquilo que podemos crer
Histórias de luta
Onde lutamos contra a amargura do mundo
E juramos perder o sentindo
Contudo, há um amor mais do que vivo
Dentro da nossa essência
Dentro do nosso estranho convívio
Juramos que sem a luz através dos olhos
Não somos nada e temos medo
Mas lembre-se que...
...a essência de cada um de nós é capaz de iluminar nossos dias
Porque é dela que realmente vem a luz da vida
Da escuridão dos Olhos para o colorido da Arte
Adma Figueiredo Lima Oliveira, nasceu em Goiás. Aos 12 anos de mudou para Brasília, onde foi acolhida com todo amor. Aos 14 anos começou a trabalhar, mas a vida a fez ser mãe adolescente. Hoje, além de mãe, também é avó. Depois de anos trabalhando em diversos trabalhos, aos 49 anos Adma começou a enfrentar a perda da visão por uma doença que afeta o fundo do olho. Infelizmente, a doença atacou o outro olho. Adma também sofre de dislexia e por causa disso, possui dificuldade em aprender Braille, levando-a ter uma vida com limitações por causa de sua baixa visão. Sem poder enxergar, Adma enfrentou à depressão até ser agraciada por entender que a Arte poderia transformar a sua vida.
Da escuridão nos seus olhos, sua vida ganhou cores e alegrias através da dança, cultura e poesia. Ela dança castanhola, música espanhola e segue a vida do ritmo da Arte. Apesar da vida corrida ela ainda encontra tempo para atuar como terapeuta de massagens. Outro sentindo que a vida mostrou para a Adma que é possível entender a vida de outra forma.
Parabéns para todos!
ResponderExcluirO engajamento da solenidade; o script e respeito das pessoas em escutar todo o processo do PIEI e claro, aplaudir aos ganhadores e todos se ajudarem no final pra irem embora, foi um exemplo de espírito inclusivo. Que os próximos sejam tão bons quanto o PIEI 2025. Parabéns, Dinorá Couto Cançado! Parabéns aos nossos grandes artistas deficientes visuais! Viva à Inclusão!
Foi uma experiência enriquecedora participar do PIEI. Parabenizo cada um dos participantes, em especial, Primavera, que fez um excelente trabalho.
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